
O avanço cada vez mais acentuado da tecnologia pode mexer até mesmo no calendário de campanha. Os políticos, ao contrário de outros tempos, quando o palanque era a única referência para o eleitor, estão de corpo e alma nos equipamentos que permitem comunicação em tempo real, numa exposição diária que amplia a visibilidade para eles. Daí, há o entendimento de que não há necessidade de oficializar os nomes tão prematuramente quando já se sabe que eles estão no páreo. O twitter, a novidade de 2009 e que será amplificada em 2010, é uma das ferramentas mais utilizadas por lideranças e ganha adesões diárias. Os tempos modernos, que permitem uma maior interação entre o eleitor e os candidatos, pecam, no entanto, pela volatilidade das informações. O simples acompanhamento do que andam dizendo os políticos não impede a fragilidade dos discursos, ficando a temática restrita ao dia a dia, quando o ideal seria um debate consistente sobre as principais demandas da sociedade. É possível saber a impressão sobre o café tomado pela manhã, mas é pouco provável que haja alguma opinião sobre metas que devem ser cumpridas no futuro.Em razão disso, o eleitor deve ficar atento, sobretudo pelo fato de a maioria - a despeito de todo o crescimento - ainda não ter acesso à rede mundial. Há diversos “Brasis” que se encontram nas urnas, embora nem todos passem pelo mesmo caminho. No Norte e no nosso Nordeste, em especial, ainda é precária a informação pela internet, enquanto no Sudeste e no Sul a situação é inversa.A internet é um instrumento fantástico, mas é necessário levar em conta que há muita informação e pouco conhecimento, o que influi diretamente no controle do que será dito pelos candidatos. Será possível acompanhá-los pelo país afora, mas é vital cobrar profundidade daquilo que dizem. Afinal, o voto deve ser resultado do conhecimento do que eles pretendem fazer, e não das informações que eles produzem.
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