REVISTA ÉPOCA ENTREVISTA RAQUEL PACHÊCO, A BRUNA SUFISTINHA


Lançado nos cinemas há menos de um mês, o filme Bruna Surfistinha já foi visto por mais de 1,5 milhão de espectadores. O livro que lhe deu origem, a biografia O doce veneno do escorpião, é um best-seller com mais de 250 mil exemplares vendidos.

Raquel Pacheco tinha 17 anos quando decidiu fugir de casa e virar a garota de programa de pseudônimo Bruna Surfistinha. A Bruna, Raquel deve o dinheiro, o marido e a popularidade. Por causa de Bruna, Raquel não fala com os pais há oito anos. Em entrevista feita pelos leitores de ÉPOCA, diz que não se arrepende das escolhas que fez. Mas não recomenda seu caminho: “Se alguma menina sentir-se incentivada a seguir a minha trajetória, é por ter a mente muito fraca”.

ENTREVISTA - RAQUEL PACHECO


"Oficializar a prostituição diminuiria a exploração, mas é difícil imaginar alguém disposto a registrar essa condição em carteira" BRUNA SUFISTINHA

Como está sua vida atualmente? Está casada, feliz, quais suas atividades? Vc se arrepende de alguma coisa que fez no passado? Maria Claudia O. de Paiva, São Paulo, SP

Raquel Pacheco – Sou casada há quase seis anos e estou vivendo uma das minhas melhores fases. Por causa da estreia do filme, estou focada na Bruna, minha "criatura", então estou aproveitando as boas oportunidades que estão surgindo. Não sei se algum dia me arrependerei de algo, mas por enquanto isto ainda não aconteceu. Acredito que nada acontece por acaso. Cometi muitos erros, mas não consigo ver a minha vida sem eles.

Quem você culpa por ter tomado esse rumo em sua vida? Geralmente muitas jovens se prostituem alegando problemas de ordem econômica, o que não foi o seu caso. Que tipo de lição ficou depois de tanto sofrimento? Valeu a pena, mesmo com fama e dinheiro, passar por tudo isso? Nazareno Santo, Itaituba, Pará

Raquel – Eu não culpo ninguém, todas as minhas decisões partiram de mim. Não precisava me prostituir, mas escolhi tomar esse rumo porque, naquela época, acreditei ser uma boa opção. Com 17 anos eu não tinha a menor noção das consequências que essa escolha poderia me trazer. A maior lição que tive é que não podemos julgar as pessoas e aprendi a respeitar todas as diferenças que existem. Aprendi que as pessoas são livres para ser ou fazer o que bem quiserem e que ninguém tem o direito de julgar os outros. Fazendo um balanço com todos os altos e baixos que enfrentei, vejo que, embora eu tenha caído em todas as armadilhas da vida, valeu a pena ter passado por tudo pelo amadurecimento e por ter aprendido a gostar de mim.

Raquel, da vida como garota de programa, do que você sente falta e do sente mais tristeza, raiva ou algo assim daquela época? Gabriela Martins, Goiânia, GO

Raquel – Eu sinto falta de amizades que tive naquela época. Sou muito grata por algumas pessoas que conheci na prostituição, mas nunca mais nos vimos. Não guardo mágoa de ninguém, nem mesmo das inimizades. Dos momentos ruins, ficaram os aprendizados.

Raquel, sei que você ja fez filmes adultos, vulgo "pornôs". Você ainda faz esses tipos de filmes, se arrependeu? Daniel Gomes, Montes Claros, MG

Raquel – Gravei dois filmes pornográficos quando ainda não era conhecida. Na época, não imaginava que eu, como Bruna Surfistinha, faria sucesso. Faz sete anos que os fiz, mas a produtora agiu de maneira muito oportunista. Nunca mais fiz e não farei, embora tenha recebido uma proposta muito boa.

Raquel, seu filme estrelado por Débora Secco deixou uma lacuna no que se refere aos seus filmes adultos. Houve algum motivo para não ser retratado? Wesley Tomaz de Oliveira, Franca, SP

Raquel – O filme Bruna Surfistinha é uma adaptação do livro ´O doce veneno do escorpião´. Quando assinei o contrato com a produtora e meses depois tive contato com o roteiro pronto, já sabia que o filme não retrataria todos os momentos da minha vida. Por ser uma adaptação, não há a obrigação de ser extremamente fiel à história do livro.

Você afirma ter saído de casa porque se achava deslocada da família e da escola. Hoje em dia, depois que isso virou passado, você acredita que possa ter sido uma "rebeldia de adolescente" quando fez, ou continua acreditando que fez a coisa certa? Se arrependeu de ter virado garota de programa ou consegue analisar este período como uma fase de experiência, mesmo tendo sido dolorosa? Maísa Di Paschoal, Londrina, PR

Raquel – A minha rebeldia foi algo que influenciou muito minha decisão de fugir da casa dos meus pais para me prostituir. A educação que os meus pais me deram foi muito conservadora e a proteção era extrema. E, rebelde, quis me libertar e explorar um mundo que não conhecia. Mas, não me arrependo desta decisão. Não consigo ver a minha vida sem os meus erros.

Você não conversa mais com sua mãe, certo? Nesse momento, o que você gostaria de dizer a ela? Gleidson Rodrigues da Silva, Campo Grande, MS

Raquel – Os meus pais ainda não me aceitaram novamente, ainda não conseguiram me perdoar. Faz cinco anos que fiz minha última tentativa de reaproximação, coloquei no final da carta todos os meus contatos, mas eles nunca me procuraram. Se eu tivesse oportunidade neste momento de dizer algo à minha mãe, diria que reconheço todos os meus erros e o fato de ter sido uma péssima filha, e que ela faz muita falta. Não houve qualquer dia nestes oito anos que não nos vemos que eu não tenha pensado neles. Se eles me deram muitas chances quando eu era adolescente, queria que me dessem apenas uma agora que já sou adulta.

Raquel, não entendi direto sobre a sua saída de casa para ir num lugar onde poderia oferecer perigo. A não ser que seus pais adotivos não fossem carinhosos e batessem em você.... Gostaria que explicasse a tua relação com seus pais. Marcelo Gomes de Andrade, Guarulhos, SP

Raquel – Os meus pais adotivos me amaram da maneira deles, não posso culpá-los de nada. Na adolescência, por ser rebelde e depressiva, coloquei na cabeça que eles não me amavam. O fato deles não me deixarem fazer coisas típicas de uma adolescente, como namorar, confundia a proteção extrema com falta de amor. Não aceitava as regras que eles me impunham. Além disso, houve um crise de geração entre nós e eles não souberam acompanhar a minha. Sou da geração que sair na adolescência para beijar várias bocas é normal. Eles são da geração que o normal para uma mulher era casar jovem, com o primeiro namorado, e virgem. A falta de diálogo em casa também prejudicou o nosso relacionamento.

Eu gostaria de saber se algum dia a Bruna sentiu prazer ao atender alguém? Eduardo, Rio de Janeiro, RJ
Raquel – Poucas vezes senti prazer, principalmente porque sempre encarei a prostituição como um trabalho e, por isso mesmo, deixava minha satisfação em segundo plano. O meu prazer mesmo estava em satisfazer o cliente, ter certeza de que ele tinha gostado da minha companhia.

No filme não aparece, em nenhum momento, a importância do uso da camisinha. Será mesmo que isso não é importante em um filme que é destinado e focado no público adolescente? Geraldo Ramos Junior, São Paulo, SP

Raquel – Acredito que a educação sexual e o incentivo do uso da camisinha tenham que ser ensinados em casa. Os pais que têm esta obrigação. Nunca conversei sobre sexo com a minha mãe, mas, mesmo assim, desde a minha pré-adolescência ela sempre fez questão de conversar comigo sobre as doenças sexualmente transmissíveis e a importância do uso de camisinha. E ela me alertou tanto que até mesmo em minha primeira relação sexual, que foi com um namorado, uma pessoa em quem confiava, não deixei de usar. Além disso, no filme não há sexo explícito.

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http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI219426-15228,00-RAQUEL+PACHECO+RECONHECO+TODOS+OS+MEUS+ERROS.html

2 comentários:

Anônimo disse...

Dizem que milhões foram ao cinema não para conhecer a história da surfistinha, mas para ver a Debóra Secco pelada!

Anônimo disse...

Eu ja fui uma garota de programa, sei muito bem como é.
É como no filme mais em resumos...nome ficticio RAFAELA